A HISTÓRIA DA ESGRIMA

Desde os primórdios, o homem para se defender, inventou armas. Utilizando-se de bastões, lanças e objetos com ponta, começou a aperfeiçoar movimentos de ataque e defesa, passando assim a demonstrar os primeiros passos do que hoje em dias conhecemos como esgrima.

A esgrima não surgiu em um país específico em um momento específico, foi se desenvolvendo de forma diversa em vários lugares ao longo dos séculos.


A história da Esgrima é muito rica e seu desenvolvimento está ligado a guerras, ao aperfeiçoamento das armas brancas e ao surgimento da pólvora. O período antigo foi marcado pela Esgrima de impacto que era causado pelo choque de espadas muito pesadas sobre o corpo do oponente, o que o levava ao chão. Naquela época eram utilizadas grandes e resistentes armaduras com um pulôver tecido em fios de ferro e aço que, usado por debaixo, protegia o corpo durante os combates e duelos, contra as flechas e auxiliando nos confrontos contra machado, bastão e lança.


No século XI eram realizados Torneios, a mais alta inspiração da cavalaria, a glória dos moços e o ânimo do espírito dos velhos. Neste tempo, o Torneio era considerado um exercício de nobres, onde só os homens, representantes da nobreza poderiam participar.


As regras da Esgrima atual são as que mais se aproximam das regras dos duelos, que aprimoraram a arte de lutar e matar seu adversário, mesmo no tempo das armaduras. Com a descoberta da pólvora e o desenvolvimento das armas de fogo (Canhões, Arcabuzes e Pistolas) a vantagem das armaduras foi desaparecendo e só os "Grandes Senhores" continuavam usando-a, muito mais por tradição que por necessidade. Contudo, o uso de couraça para o tronco e do capacete continuaram. A espada usada no início da prática da Esgrima alemã feita em ligas de bronze e ferro e, geralmente, de dois gumes, cortando quando caía e subia, era pesada e grosseira, além de não ter proteção para as mãos.


Em 1410, foi publicado pelo mestre italiano Fiori Dei Liberi um tratado de Esgrima camado "Flor de Bataglia", mostrando um bom desenvolvimento na Itália e, em 1443, surgiu na Alemanha um manuscrito de nome "Fechtbutch", de Talhoffer.
A forte escola francesa se desenvolveu a partir do século XVI quando Catarina de Médicis, esposa de Henrique IV, Rei da França, trouxe Mestres italianos e espanhóis para ensinar a nobreza e treinar homens que viriam a formar a guarda pessoal do Rei, “os Mosqueteiros”. Por isso, historicamente, a esgrima da França é mais clássica e polida, enquanto a italiana é cheia de gritos e chamadas (batidas com os pés sobre a pista de duelo).


Em virtude das diferenças de comportamento e educação, os franceses abandonaram os Mestres italianos e espanhóis e criaram um estilo de Esgrima acadêmico, adaptado ao temperamento de seu povo. No reinado de Carlos V os Mestres d’armas já se reuniam numa associação chamada de "Academia d’armas".


A arte de esgrimir, como esporte, foi mais rapidamente desenvolvida graças ao aperfeiçoamento de um aço mais leve e com maior resistência, que proporcionou armas que pudessem ser empunhadas com uma só mão, devido ao seu peso e tamanho.


A partir da metade do séc. XIX o duelo como meio de resolver disputas entra em declínio, principalmente porque a vitória poderia conduzir o duelista à cadeia. A ênfase nos duelos é deslocada a derrotar o oponente sem necessariamente matá-lo. Alguns destes eram embasados na regra do "primeiro corte", ou seja, os duelistas usavam uma camiseta branca para facilitar a visualização do sangue quando do primeiro corte, e este era o momento em que se decidia o duelo.


Nos duelos de "primeiro corte" existia um marechal de campo, que corresponderia ao árbitro da esgrima moderna. As formas de duelos menos fatais evoluíram usando a espada de duelo. Alguns duelos acabavam em ferimentos graves nos braços e nas pernas, além de complicações legais para os participantes. Os duelos praticamente desapareceram após a I Guerra Mundial. Mas há registros de duelos realizados para resolver disputas levantadas durante a olimpíada de 1920. Desde então, raros foram os relatórios de duelos de espada. Em outubro de 1997 o prefeito de Calábria, na Itália, desafiou publicamente mafiosos locais a um duelo.


A esgrima está presente nas olimpíadas desde os primeiros jogos olímpicos modernos, em 1896, mas somente nas modalidades florete e sabre para homens. A espada foi introduzida em 1900. A espada elétrica foi introduzida nos jogos olímpicos de 1936, o florete em 1956 e o sabre em 1988. Somente em 1913 foi criada a Federação Internacional de Esgrima.


A introdução do equipamento elétrico, e mais tarde eletrônico, provocou grande mudança na maneira de se julgar e jogar esgrima. Recentemente, essas mudanças foram notadas no sabre.
As mulheres estão presentes nos jogos olímpicos desde 1924, com o florete, e somente em 1996 na espada, apesar de fazer parte dos campeonatos mundiais desde 1989. O sabre feminino fez sua primeira aparição nos campeonatos mundiais a partir de 1998 como demonstração e nos Jogos Olímpicos, a partir de 2004 em Atenas.

para saber mais
http://pt.wikipedia.org/wiki/Esgrima


A ESGRIMA NO BRASIL

A partir da fundação da Confederação Brasileira de Esgrima, em 05 de junho de 1927, se oficializaram as competições no Brasil. Antes desta data a esgrima encontrava-se restrita aos quartéis e casernas, praticada somente por militares.
O primeiro campeonato brasileiro foi realizado em 1928, nas armas de florete, espada e sabre somente masculino categoria livre.

Atualmente realizam-se competições oficiais em 6 modalidades:
* Florete Feminino - Florete Masculino - Espada Feminina
* Espada Masculina - Sabre feminino - Sabre masculino

Visite nosso Acervo e conheça mais sobre a história da esgrima no Brasil.

 

 

Espadachim na antiguidade

 

Espadas medievais

 

Escola de esgrima no século XVI

 

Esgrimistas no século XIX

 

Campeonato Mundial de 1962 em Buenos Aires

 

Sabre Feminino em Atenas 2004

 

Florete Masculino em Atenas 2004

 

As três armas: florete, espada e sabre

 

1. Jaqueta 2. Luva 3. Fio de Corpo 4. Espadas

5. Calça 6. Máscara 7. Plastron

 

 

Texto de Régis Trois de Avila

Professor Ed. Física ESEF/UFRGS (1985)

Mestre d’Armas Internacional França (1990)

www.trois.com.br

mestre@trois.com.br




Crédito das imagens

EVANGELISTA, Nick _1996 The Art and Science of Fencing, Illinois, Master Press